Projeto, empresa, agência de comunicação: o que a Cultivo é?

segunda-feira, 22 de junho de 2020. Postado por .

Frases que ouvimos e situações que já enfrentamos abrindo caminho na comunicação rural

Trabalhar com palavras e conceitos é um desafio. A Cultivo é e sempre foi uma agência de comunicação. Porém, não é incomum algumas pessoas questionarem, por exemplo, sobre o andamento “daquele projeto que vocês iniciaram… é Cultivo o nome?”.

Só que a Cultivo não é um projeto. Já foi, antes de ser lançada – quando planejamos tudo por, pelo menos, seis meses. Relutamos um pouco em conversar sobre isso por aqui, porque pressupõe um incômodo que sentimos diante de certas abordagens que já foram feitas conosco, e que imaginamos que possam ressoar, futuramente, em outros profissionais de Comunicação.

Então vamos falar sério? É preciso, também, desmistificar certos aspectos do nosso trabalho para tornar certas coisas mais tangíveis – algumas delas, sobretudo, para nós mesmas 🙂

Nosso dia a dia envolve bastante planejamento, reuniões e situações um tanto inusitadas – sobretudo quando ouvimos definições a respeito do que fazemos

Definir & deixar fluir: a Cultivo é um organismo vivo, mas por ora é uma agência de comunicação

Primeiro: a Cultivo é uma agência de comunicação que, dentro da sua atuação com marcas e produção de conteúdo, executa projetos de impacto socioambiental. Nós sempre a denominamos como agência de comunicação. Projeto soa como algo inacabado, né?

Sabemos que as áreas de atuação podem mudar com o tempo e que uma empresa também é um organismo vivo, assim como tudo na natureza. Porém, se tivermos de definir a Cultivo e sua atuação, sem dúvidas – e desde o início – é essa.

Achamos importante contar sobre isso e esclarecer o uso de palavras e expressões porque não foram poucas as vezes em que não levaram muito a sério o que estávamos fazendo. Era como se, por sermos duas mulheres jovens iniciando uma agência, não pudéssemos ser pagas pelos serviços que oferecemos, como se estivéssemos “brincando” de passear em propriedades rurais.

Somos contra romantizar excesso de trabalho, estresse e dificuldades, porque temos muitos privilégios que nos permitem tocar a Cultivo e ter dedicação integral à agência desde o dia 24 de abril de 2018. Temos consciência deles, mas também não quer dizer que só ocupemos nosso dia andando pelo interior ouvindo histórias de agricultores e agricultoras. 

Claro que essa é nossa parte favorita, e o que compensa o estresse das outras atividades, o trabalho em frente ao computador que adentra finais de semana e madrugadas, o telefone pessoal disponível aos clientes 24/7, todas as vezes em que viramos a noite para entregar trabalhos a tempo, todas as incertezas das prospecções, todo o machismo que já ouvimos. Mas não são só flores. Quem dera fosse, né? 🙂

Com isso, novamente, não queremos romantizar excesso de trabalho. Lutamos constantemente para encontrar um modo de operacionalizar nossas atividades sem que tenhamos que trabalhar tanto.

Contudo, hesitar em contá-las facilmente passa a impressão de que construir algo do zero, em um meio predominantemente masculino, é fácil, bonito e poético o tempo todo. Nunca foi e ainda não é, mas seguimos – pois, se a Cultivo for um projeto, aproxima-se muito mais a um projeto de vida, não a um passatempo ou a um complemento de renda.

Dia desses, noite adentro no nosso escritório

É só tirar umas fotos? Mas o que vocês fazem mesmo?

“Mas é só ir ali tirar umas fotos, é só fazer um vídeo curtinho, é só uma consultoria para um folder, vocês vão ter oportunidade de mostrar o trabalho de vocês…”. Estas foram apenas algumas frases que já ouvimos nesse percurso com a Cultivo.

Entendemos que os motivos para elas serem proferidas são bem diversos. A Comunicação é vista como uma área facilmente relegada a segundo plano, ainda mais no interior. Por falta de conhecimento da importância dela e porque muitas pessoas que estudam em grandes centros não retornam para atuar em cidades pequenas, quem comunica é sempre um “quebra-galho”.

No orçamento apertado de muitos pequenos empreendimentos rurais, prefeituras, associações e demais entidades do setor rural, a comunicação também não é prioridade – pelo menos, não de forma cultural, planejada e assertiva, o que nós conseguimos compreender que se dá por escolhas financeiras. E tudo bem. Mesmo! Só não é legal pedir trabalhos de graça para quem está começando, desvalorizando o que outra pessoa estudou para entregar. Aqui, também não utilizamos estudo como algo “superior”, mas, sim, como um serviço que se oferece a partir de uma formação acadêmica.

E aí entramos em outro ponto…

Laís chegando com mil tralhas profissionais no escritório – cena muito comum

Preciso trabalhar de graça?

Era bastante desanimador ouvir que, no início da agência, deveríamos fazer coisas de graça para ter oportunidade de mostrar nosso trabalho. Em alguns espaços, não havia lugar para a confiança – mas muito lugar para tentar tirar proveito de um serviço que, historicamente, já é visto como prescindível. Voltava, com muita frequência, a nossa visão de “parece que acham que é uma brincadeira, que é um projeto que vai acabar logo”. E nos perguntávamos: “Mas como acham que pagamos nossos boletos?”

A caminho de uma reunião que gerou muitas pérolas – as risadas com os absurdos que ouvíamos era o que nos fazia continuar -, nós nos prometemos só desistir da Cultivo quando a agência desse certo. Desistir não era opção e nunca foi. E aqui estamos.

Todas as profissões têm estereótipos, dificuldades e obstáculos. Cabe a nós tomar consciência deles e conseguir quebrá-los, entendendo nosso lugar e o que temos a contribuir.

Gostou deste texto ou tem algo para compartilhar sobre ele? Você pode me escrever para candida@agenciacultivo.com.br. Vou adorar saber o que achou ou como você lida com as dificuldades que aparecem no seu dia a dia! 🙂

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