Educomunicação socioambiental: como aliar mídia e educação para falar sobre o setor rural

quinta-feira, 18 de outubro de 2018. Postado por .

Na semana do Dia dos Professores, nada mais adequado do que falar de educomunicação socioambiental. Isto é, como aliar mídia e educação para conscientizar sobre o meio ambiente e o setor rural. Por meio desse ramo cada vez mais pesquisado da Comunicação, é possível educar crianças, jovens e adultos sobre a importância do cultivo de alimentos e do trabalho de agricultores familiares. Ao mesmo tempo, desenvolve-se o senso crítico sobre a mídia.

As atividades podem ser aplicadas em ambientes escolares e corporativos, por meio de estratégias distintas.

Quer saber mais sobre o assunto? Então acompanhe este post.

O que é educomunicação

Educomunicação é, como se pode deduzir, a junção dos termos educação e comunicação. É uma área de estudos que emergiu a partir dos escritos do pedagogo Paulo Freire, que alertava sobre a necessidade de haver uma educação para as mídias, ou alfabetização midiática, para que todos soubessem ler criticamente a imprensa.

Em Pedagogia da Autonomia, publicado originalmente em 1996 e um de seus livros mais celebrados, escreve:

“Não temo parecer ingênuo ao insistir não ser possível pensar sequer em televisão sem ter em mente a questão da consciência crítica. É que pensar em televisão ou na mídia em geral nos põe o problema da comunicação, processo impossível de ser neutro. Na verdade, toda comunicação é comunicação de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra algo e contra alguém, nem sempre claramente referido […].
Não podemos nos pôr diante de um aparelho de televisão ‘entregues’ ou ‘disponíveis’ ao que vier. Quanto mais nos sentamos diantes da televisão – há situações de exceção – como quem, em férias, se abre ao puro repouso e entretenimento, tanto mais risco corremos de tropeçar na compreensão de fatos e de acontecimentos. A postura crítica e desperta nos momentos necessários não pode faltar”.

Atualmente, há oito eixos de serviços da educomunicação:

1) o eixo escolar;

2) o impacto da mídia sobre seus usuários;

3) as tecnologias no espaço escolar;

4) os modos de ensinar (o impacto da comunicação na didática);

5) as diferentes formas de expressão (a importância que se dá à estética e à arte-educação);

6) a mídia como produtora e distribuidora de conteúdos (interesses da mídia na distribuição de conteúdo para a educação formal);

7) a relação da comunicação com as expressões de vida (neste ponto entra a educomunicação ambiental, por exemplo);

8) a comunicação como objeto de conhecimento.

Os estudos na área são liderados, sobretudo, pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Inclusive, o próprio termo educomunicação foi trazido ao Brasil pelo professor Ismar de Oliveira Soares, da USP, na década de 1980.

Toda a abordagem educomunicativa é feita sob os pilares da pedagogia de Paulo Freire: construção de conhecimento conjunta, democracia e participação.

Mídia e educação para falar sobre meio ambiente e o setor rural

Nos estudos de educomunicação, há um eixo específico que trata sobre o meio ambiente e sua relação com a sociedade: a educomunicação socioambiental. Assim, é possível trabalhar, tanto em ambientes escolares quanto empresariais, a relação da mídia com o meio ambiente e formas de aproximar o campo da cidade.

Nesse caso, pode-se falar sobre a abordagem da mídia relativa ao meio ambiente e pensar em estratégias práticas que mobilizem alunos ou funcionários de uma empresa sobre a importância da sustentabilidade ambiental e de práticas que se conectam profundamente com a natureza.

Na prática: atividades de educomunicação socioambiental para desenvolver com alunos e funcionários

Na prática, como aplicar uma estratégia de educomunicação socioambiental? São muitas as atividades possíveis, que contemplam tanto alunos em espaços escolares e até funcionários de uma empresa.

– Fazer uma horta

Para que alunos de uma escola ou funcionários compreendam o ciclo do alimento, esta é uma prática adequada e envolvente, que congrega todos em torno de um objetivo em comum. Posteriormente, ao consumirem o que eles mesmo produziram, vão entender como se cultivam hortaliças e vegetais.

– Trazer agricultores para falarem sobre sua rotina

Esta é uma atividade que valoriza o agricultor ou agricultora familiar que, ao ser convidado a falar sobre sua rotina, sente-se enaltecido e reconhecido pela sociedade. Ao mesmo tempo, traz a experiência do campo para dentro do ambiente escolar ou corporativo.

– Fazer saídas de campo para conhecer propriedades que trabalham com turismo rural e/ou agroecologia

Aprender por meio da visita e do conhecimento prático é importante, além de fortalecer a cadeia da produção rural e a agroecologia, que é um meio de produção sustentável e respeitoso ao meio ambiente.

– Convidar alunos a produzirem conteúdo sobre o assunto

Para envolver crianças e adolescentes, nada melhor do que colocar a mão na massa gravando vídeos, tirando fotos ou elaborando jornais-murais e/ou blogs. A melhor maneira de aprender é praticando. Assim, eles desenvolvem o senso crítico, a autonomia e a criatividade, além de aprenderem sobre o funcionamento da mídia e sobre meio ambiente.

– Abordar o assunto em jornais e revistas institucionais

Para empresas e cooperativas, abordar o assunto educomunicação socioambiental em revistas e jornais institucionais é uma sugestão eficaz, porque atinge funcionários e associados.

Se você quiser ajuda para aplicar uma estratégia de educomunicação socioambiental, entre em contato com a Cultivo. Escreva-nos para contato@agenciacultivo.com.br.

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