O que a Cultivo quer ser no mundo?

quinta-feira, 5 de novembro de 2020. Postado por .

Como um organismo vivo para além das fundadoras e de todos os colaboradores e colaboradoras, é importante perguntar: “o que a Cultivo quer ser no mundo e o que quer deixar de legado?”. É sobre isso, nossas ferramentas de planejamento e os bastidores que nos levaram até elas que escrevo neste post.

Planejamento é um pilar central da Cultivo, desde a fundação da agência. Muito já nos perguntamos “onde queremos chegar?”, ao passo que o mundo parecia rebater: “Que pergunta irrealista”, “que utópico planejar, nada nunca se concretiza como a gente quer”, “se quer fazer deus rir, conta a ele teus planos” e todas as falas anti-coachs possíveis.

Se tivéssemos acreditado em tudo que nos disseram na Cultivo, não teríamos semeado – nem sequer colhido – metade das coisas das quais já usufruímos e que muitas pessoas usufruem conosco. A maior lição que tirei foi que cada pessoa e empresa têm seu caminho e que é preciso bater o pé com nossos anseios.

Perguntas norteadoras são importantes, por mais que muitos planos listados a partir dessas questões não se concretizem. Talvez deus ria mesmo do que a gente queira – mas, cada vez mais, tenho convicção de que ele/ela – ou seja lá o que você coloca na posição de deus na sua vida – acha graça é dos prazos apertados.

Planejamos, confiamos e fazemos o que está ao nosso alcance hoje para tornar real o futuro que queremos construir. Por isso, sou defensora ferrenha da pergunta deste post, porque ela afirma intenções e proporciona um direcionamento mais claro, sobretudo para entender que a organização vai além de quem a criou e permanece dentro dela.

Nada pior do que não ter os dois pés firmados nos seus ideais.

Por mais que isso soe fixo, espera só um pouco que já te explico como nós fazemos nossos planejamentos estratégicos e definimos as metas da Cultivo. Mas já adianto: é um planejamento fluido, agroflorestal, diverso e respeitoso com a individualidade de cada pessoa na organização. Acima de tudo, é um planejamento que compreende a agência, como afirmei no início do texto, como um organismo vivo. Depois, você pode adaptar para a sua realidade, se fizer sentido.

Planejar e conversar sobre os rumos da Cultivo é uma das atividades que mais nos empolga na agência

Planejamento como guia para entrega de orçamentos

Um ponto crucial do planejamento estratégico é que ele guia nossos orçamentos, mais um motivo para dividirmos tudo isso por aqui: a transparência com nossos clientes e parceiros. Se queremos atingir determinados objetivos, em um mundo capitalista também precisamos ter grana para colocá-los em prática – princípio básico também para conseguirmos remunerar de forma justa todos os colaboradores e colaboradoras da agência.

Como planejamos a entrega dos orçamentos? Por meio de uma tabela minuciosa em que, anualmente, desenhamos cenários de investimentos, custos fixos e variáveis e onde queremos chegar em nível de impacto mesmo: quantos colaboradores, quantos clientes, quantos projetos serão executados.

Os clientes embarcam nessa conosco. Sabe por quê? Porque a Cultivo tem um propósito! Portanto, todos reforçam essa proposta, por meio do nosso fundo de 5%, em que guardamos essa porcentagem mensal dos clientes fixos para investir em projetos de impacto socioambiental. Começamos este fundo em janeiro de 2020 – então, ele está lá guardadinho. Logo logo, vão brotar dois projetos que estão sendo cultivados. Aguardem!

Na entrega dos orçamentos, nem sempre acertamos. Afinal, somos humanas! É preciso conversas e combinações para ajustar fluxos e caminhos? Claro! Contudo, temos melhorado ao longo do tempo. O equilíbrio é a meta e sempre estamos abertas a compreender a realidade de cada cliente, ajustando demandas e nossa própria capacidade de entrega, sem comprometer nossa existência enquanto empresa.

Tudo na base da comunicação não-violenta e da sinceridade – o que rende um post à parte, inclusive.

Além de tuuuudo isso, tem a individualidade de cada pessoa na organização, que se encarrega do que mais tem afinidade ou das atividades que mais brilham o olho. Por exemplo, minha sócia Laís se responsabiliza pelas fotografias, pela captação de imagens no geral e está tocando um projeto específico que tem tudo a ver como nosso impacto social. Enquanto isso, eu, Cândida, me encarrego dos textos, do planejamento financeiro e estou, atualmente, coordenando outro projeto que não posso revelar ainda, mas que conversa com o que mais pulsa meu coração: escrita, material informativo-educativo e impacto social.

Divisão entre mato e escritório é fundamental na Cultivo para planejar – e tirar tudo da cabeça e do papel

O que você está plantando? A Cultivo como agrofloresta

Sabe como nós olhamos para o planejamento da agência? Com uma analogia da natureza (o que tem tudo a ver conosco). Perguntamos: “o que estamos plantando?”. Afinal, não podemos colher nada que não semeamos – quer dizer, só se for em uma propriedade alheia, e aí vai de cada um, né?

E então chegamos em outro ponto…

Plantamos culturas, projetos e ideias muito diferentes na Cultivo, cada um e cada uma crescendo a seu tempo, no seu estrato, observando os ciclos, as potencialidades, o momento de colher cada coisa. Sempre enxergamos a agência como uma agrofloresta. À medida que nos aprofundamos nos sistemas agroflorestais, tanto mais reforçamos a perfeição dessa analogia.

Claro que nesse caminho nem tudo são flores… E aí vou dividir uma coisa bem pessoal com vocês.

Seja o sapinho surdo e siga firme

A Laís, minha sócia, costumava me consolar no início da agência repetindo a história do “sapinho surdo”. Eu, uma canceriana aterrada, temia que nunca tivéssemos um cliente sequer. Somávamos quilômetros rodados no painel do carro, ótimas histórias, tantas visitas e palavras bonitas que ouvíamos, mas nada se concretizava em clientes. Até o dia 11 de setembro de 2018, quando fechamos dois em um dia só, sendo o primeiro o grande impulsionador do que somos e fazemos até hoje: a Rota Sabores e Saberes do Vale do Caí.

E os planos… ah, eles estavam todos listadinhos. O coração apontava que era o caminho certo, mas o entorno custava a dar um voto de confiança a duas meninas de 23 anos que se vestiam com roupas de empresárias para aparentar aspecto mais “maduro” e “sério” (hoje, repetimos essas roupas de vez em quando porque gostamos).

Se você não conhece a história do sapinho surdo, confira este vídeo:

Seja o sapinho surdo, faça planos, semeie, cultive, maneje. Confie na abundância – mas também mude a direção. E entenda que a organização que você criou – ou em que você trabalha – é uma coisa à parte. Você é mais do que ela, mas ela pode ser um propulsor para que você realize sua vocação e coloque em prática seus talentos e dons pessoais.

Resumo da ópera…

A Cultivo sabe onde quer chegar e precisa caminhar em consonância em todas as frentes para realizar sonhos. Quem se integra à agência compreende a proposta e esperamos que se realize – enquanto pessoa no mundo – também por meio das ações da Cultivo.

A agência tem dado sinais de que é bem obstinada: quer expandir a abrangência, trabalhar com mais clientes, impactar em educação, sistemas agroflorestais e agricultura biodinâmica. Como legado, quer inspirar outras iniciativas, mostrar que é possível olhar de forma humana para agricultores e agricultoras familiares, contribuir para mitigar o aquecimento global e demonstrar que a comunicação não-violenta é o caminho para impactarmos para “fora da bolha”.

Somos integradas a uma agência alegre, esperançosa, perseverante, firme, aberta.

No fim das contas, se queremos desenvolver o setor da agricultura familiar como um todo, precisamos ter um plano, não é?

Espero que este post tenha esclarecido como nós fazemos por aqui e tenha te inspirado de alguma forma. Vou adorar saber como estas palavras ressoam por aí e o que mais você gostaria de saber 😀

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