2 anos de Cultivo: o que aprendemos, mudamos e queremos compartilhar sobre nossa jornada até aqui

sexta-feira, 24 de abril de 2020. Postado por .

Em 731 dias de Cultivo no mundo – sem contar os seis meses anteriores planejando cada detalhe antes de lançar na Lua Nova -, aprendemos e mudamos muito. Com 2 anos, comemorados oficialmente neste 24 de abril, a Cultivo já é uma criança que se sustenta nas próprias pernas, caminha, forma frases mais longas e se espanta com as coisas novas que aprende todos os dias.

Nessa jornada, já aprendemos um monte de coisas legais. Pensei que dividir algumas delas com vocês por aqui seria uma boa ideia, seja para inspirar outros possíveis empreendedores, seja para compartilhar mais do nosso amor pelo interior e pelas peculiaridades dele.

É preciso planejar, mas também deixar fluir

Nesse percurso todo que já tivemos, o planejamento sempre foi um dos pilares mais importantes da nossa agência. Tivemos que entender, porém, que nem sempre o que planejamos e ansiamos se converte em realidade. Há obstáculos, imprevistos, mudanças que não queríamos que ocorressem.

Precisamos deixar fluir. Aprendemos isso, principalmente, com a resiliência dos agricultores ecológicos, que nos davam aulas profundas de sensibilidade e compreensão a cada visita.

Aos poucos, conseguimos, cada vez mais, trilhar o caminho ao qual nos propusemos lá no início, mas que tanto temíamos que não se sustentaria financeiramente: agricultura familiar, agroecologia, produção de conteúdo, projetos de impacto socioambiental. Tudo é para caminhar ao lado do setor que tanto amamos e revolucionar a forma como as pessoas enxergam os agricultores e as agricultoras familiares.

Por isso, sempre perguntamos: quem vem junto? Sozinho, ninguém consegue concretizar sonhos, por mais que a proposta seja viável. É preciso que o momento social seja propício e que a ideia toque outras pessoas, que também percebam a urgência de falar sobre agricultura familiar, meio ambiente, relação com a natureza e consumo de alimentos. Tudo está interligado.

Aos pouquinhos, as coisas se encaixam. Temos tudo planejado, mas também estamos abertas para acolher o imprevisto – como os que vieram em decorrência da disseminação de uma pandemia, por exemplo, que vivemos agora. Reinventar-se e propor soluções é preciso.

Perder-se é um caminho – e a gente sempre encontra o destino

Em dois anos, sempre dividimos nosso tempo entre o trabalho no computador e o diretamente em propriedades rurais, pomares e outras externas. Nossa parte favorita é estar na estrada, não dá pra negar.

Quando temos que percorrer distâncias mais longas, costumamos parar em postos de gasolina para descansar. Nessas andanças, descobrimos que nosso pastel de queijo de posto de gasolina favorito até agora é o do Posto Chama, em Venâncio Aires – RS. Se alguém tiver oportunidade, coma! Ele é grande, sequinho, crocante, não é de vento e o atendimento do local é super eficiente. (Raramente há unanimidade na dupla quando o assunto é comida, então levem em consideração essa dica. Esse pastel é realmente imbatível!)

Estar na estrada também significa se perder – ou ser enganada pelo GPS. Nessas ocasiões, sempre pedimos informação para as pessoas, o que já resultou em ótimas histórias. Uma vez, um senhor nos convidou, em dialeto alemão, para comparecer ao baile da comunidade local porque nos achou simpáticas. E isso após ele dar coordenadas bem confusas para chegarmos à propriedade que procurávamos.

Mas, no geral, encontrar os lugares fica mais difícil quando não se conhece quem mora nas redondezas. As explicações costumam vir acompanhadas de “tu vai passar a casa do fulano, daí vai ter a casa do ciclano, daí tem uma ponte, daí tu dobra à esquerda na sociedade, daí tu segue reto até ver uma casa de muro alto, em frente à casa do ciclano etc. etc. etc.”.

A boa notícia é que nós sempre encontramos os lugares e adoramos observar tudo pelas estradas. Para quem acha que se perder também faz parte do caminho, nós estamos bem 🙂

Como encontrar o tom para falar dos bastidores?

A pergunta deste subtítulo foi constante ao criar conteúdo para nossas redes sociais. Sempre resvalamos no mesmo receio: parecer pretensiosas, tirar a atenção do que realmente importa, ficar engraçado ou sério demais, perder a credibilidade junto a clientes.

Some a isso nossa situação como jovens empreendedoras – ambas tínhamos 23 anos quando a Cultivo foi para o mundo. Nessa posição, parece que precisamos resguardar, com ainda mais afinco, a seriedade que julgamos necessária para ter a imagem profissional comumente associada a homens. Tínhamos muito medo de não sermos levadas a sério. Precisávamos mostrar que sabíamos do que estávamos falando.

Ao mesmo tempo, muitos amigos e conhecidos nos perguntam mais sobre nossas saídas a campo, sobre nossos percalços, dificuldades e aventuras, e se mostram genuinamente interessados nas histórias que contamos empolgadas em mesas de bar.

Talvez por sermos formadas em Jornalismo, há uma dificuldade maior em dividirmos nossa rotina, pois preferimos narrar o que consideramos ser mais importante: o dia a dia, os obstáculos e a história dos agricultores e das agricultoras familiares. Afinal, jornalistas não são personagens da própria reportagem nunca, a não ser que o ego extrapole a urgência de mostrar os outros. Nossa função é ouvir e contar; não aparecer.

Somos guiadas pela Eliane Brum, a maior inspiração de repórter de ambas, e mesmo que trabalhemos com comunicação corporativa e empresarial, ainda preservamos esse espírito jornalístico em nossa essência. E isso faz toda diferença em nosso trabalho.

Nesses dois anos, foram muitas e muitas viagens pelo Rio Grande do Sul, muitos quilômetros rodados, muitos desafios, muito descrédito por sermos mulheres jovens, mas também muito amor, carinho, afeto, trocas, confiança, conversas e tanto, mas tanto aprendizado – sobre a natureza e sobre a vida – que nem dá pra resumir em um post.

Esse assunto ainda vai render outros textos aqui no blog. A gente promete que vai contar mais sobre nossa rotina, principalmente quando tudo voltar ao normal, nos guiando pelo princípio de que o compartilhamento genuíno gera colaboração e engajamento 😉

Encontrar o tom nem sempre é fácil. Nós, provavelmente, vamos seguir tentando e nos adaptando, mas o primeiro passo sempre precisa ser dado – com medo ou sem. Vamos lá?

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Se você gostou deste post, vou adorar saber como ele te tocou! Se tem alguma sugestão ou comentário para os próximos conteúdos do blog da Cultivo, por favor, compartilhe conosco. Meu e-mail é candida@agenciacultivo.com.br e quero muito ler mais sobre o que você achou deste conteúdo e da nossa agência.

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